Terapia, frustrações e vontade de viver




Passei a semana agoniada.
Fiz algumas reflexões em relação a minha vida como um todo. Sentimentos, trabalho, pessoal, o lado de dentro e fora. Comecei a perceber um sentimento novo que não sabia lidar, que me era desconhecido e isso foi desesperador.

Me senti perdida e confusa durante toda a semana.
Veja bem, eu sabia que o sentimento era frustração, mas eu estava - meio que ainda tô - tão bagunçada, que não conseguia entender de qual aspecto da minha vida aquela bendita frustração vinha. Eu tenho um trabalho que amo, meu realacionamento com as pessoas que mais amo está ótimo, tenho uma boa vida, sabe? Então por quê diacho eu estava frustrada?

E foi então que chegou o dia da minha terapia.
Eu fui dizendo as minhas bagunças, mas minha psicóloga tirava mais de mim. A experiência foi exatamente como a da imagem acima. Senti que soltava aqueles sentimentos confusos e que ela ia puxando e colocando os pensamentos nos lugares certos, até chegarmor em uma conclusão: eu estou frustrada não por ser ingrata ou estar caindo em um padrão de crise depressiva, muito pelo contrário, estou cheia desse sentimento porque sinto falta de viver.

Fiquei pasma!
Sempre fui a garota que viveu sozinha, isolada, que brincava sozinha, que não ia à festas de aniversários, não recebia pessoas em casa e não carregava os amiguinhos da escola para a vida fora daquele ambiente. E, graças a um ano inteiro deprimida - 2019 - e vivendo um ano e meio completamente isolada, sem estar com amigos, sem sair e respeitando todos os pedidos do Tedros Adhanom e OMS, acabou por criar um sentimento de "não vivo há três anos seguidos".

Minha psicóloga então me deu uma sugestão:
Sair! Acompanhada ou não. Me aventurar pelos lugares que eu gosto e pelos que eu nem conheço, mas sozinha mesmo. Deixar de lado essa história de só sair quando tiver alguém para ir comigo. Olhar para o sol e não só cobiçar da janela da sala, mas colocar o corpo para tomar a vitamina D, entrar no mar ou pisar no verde.

Apesar de chorado muito até encontrar essa resposta, foi um alívio muito grande o pós e poder compartilhar com minhas pessoas o que era tudo aquilo: uma necessidade infinita de viver de quem, há dois anos, passou por uma overdose porque queria calar as vozes dentro de si. Um puta upgrade de vida e eu sou muito grata por isso.

PS: já estou vacinada com as duas doses e não pretendo parar de me cuidar 😄

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