terapia: confissões de um relacionamento abusivo 02


Acho que não importa quantas sessões eu faça e quantas vezes eu fale sobre o abuso que sofri, sempre vai existir aquela vozinha na minha mente perguntanto "por que pai?". Parece que as lágrimas surgirão todas as vezes também e que um filme se passará na minha mente dos cinco até a infinidade que eu viver.

As imagens me invadem junto com o sentimento daquela época. E eu sei que ninguém entende. Mas é como se eu visse um filme em que sofro, repetidamente, abusos psicológicos. A alienação parental - ou a tentativa dela -, os maldizeres, as invenções...

Sinto como se eu tivesse sido destruída para sempre, todas as vezes que relembro esses momentos tão dolorosos. Minha psicóloga diz que eu vou conseguir superar isso, que eu estou indo bem, mas que, sempre que precisar, podemos falar e falar e chorar quantas vezes forem necessárias.

São muitos anos de abuso e engana-se quem pensa que a distância física é suficiente para afastar as memórias ruins e apagar tudo. Na verdade, parece a mim que quanto mais o tempo passa, mais enredada eu fico em tantos pensamentos e pesadelos.

Pois é, pesadelos. Tenho acordado com pesadelos de que estou na minha antiga casa e que preciso me levantar imediatamente, ou sofrerei as consequências de um falatório abusivo que só fará com que eu desista mais e mais de mim mesma.

Apesar de dizerem que sou forte, que fui forte por conseguir seguir com a minha vida - da OAB, passando pela formatura e até o casamento -, minhas lágrimas me parecem fracas. Minha dependência de chorar com as imagens, gerar imagens e emoções, tudo me parece fraco, frágil e por um fio.

Há dias em que me sinto por um fio.
Um fio de largar tudo.
Um fio até a realização dos antigos planos.
Um fio para me largar de mim.

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