Mãe não é especialista em saúde mental, mas é especialista em nós



Acredito que essa semana que passou, sem que eu escrevesse novas palavras, foi o maior tempo em que fiquei sem postar por aqui. E foi uma boa razão.

Após as várias cises que tive no último mês, a última semana foi tranquila. Mas houve uma razão de ser. A minha prima-irmã, que já viu de perto a depressão dentro da nossa família e que tem um coração imenso para o acolhimento e sensatez; ao ver um vídeo de uma crise que tive, sabendo da relação próxima que tenho com a minha mãe, me perguntou se eu estava dividindo com ela todas as crises e, quando eu disse que não, me incentivou não só a contar, como também a pedir ajuda. Sim, pedir ajuda à minha mãe, que pode não ser especialista em saúde mental, mas é especialista em mim.

Irracionalmente, tive muito medo de pedir por essa ajuda, de pedir que ela viesse, porque a minha mãe sempre foi do tipo que cuida do marido e do filho em casa; e pedir a ela que se afastasse desse universo por um tempo, mesmo que eu esteja precisando muito, me deu medo. O medo de receber o "não", o que me dilaceraria por dentro, principalmente em um momento tão frágil.

Em consulta com a minha psicóloga, conversamos sobre o assunto e, ainda assim, eu tive medo de pedir ajuda a quem não só me deu à vida, mas foi/é mãe de verdade, desde sempre. Mas em uma conexão divina, ou uma conexão mãe e filha, após essa consulta, ela me ligou e perguntou como eu estava. Titubeei em responder o velho "bem", mas tomei coragem e disse "ah mãe, eu tô mais pra lá do que pra cá" e aí se iniciou uma conversa que confortou o meu coração e me acalmou um pouco - o que só ela consegue fazer com sua magia materna.

Lá pelas tantas, com medo, mas com um pouco mais de coragem, eu pedi "mãe, será que a senhora não pode vir ficar aqui uns dias comigo, por favor? eu preciso tanto..." e meu coração pulou uma batida, esperando pela resposta "claro, minha filha!" e a partir daí ela começou a planejar datas, o que trazer, qual mala trazer, quanto tempo ficar, o que vamos fazer nas minhas folgas....

E ter tido essa coragem, apesar do medo, foi incrível porque, por mais bobo que pareça, acalmou meu coração, tirou um peso das minhas costas, que eu nem sabia que estava carregando por tanto tempo. Foi uma semana muito tranquila, depois daquela segunda-feira.

Mas a sexta... Ah, a sexta-feira foi cruel comigo. Cheguei exausta do trabalho, com muitas dores, fadiga, sentimento de incapacidade, impotência, medo de não conseguir passar na prova final do meu trabalho, ter que estudar em dia de folga, trabalhar 10h no próximo dia de trabalho... Tudo isso me levou a uma crise. Chorei, tomei remédios para ansiedade, e nada resolveu.

Mas meu celular vibrou uma notificação e era ela, minha âncora: "apesar do cansaço, você tá bem?". E mais uma vez eu poderia dizer que sim e encerrar a conversa sem preocupá-la. Mas descobri que ser honesta com o que sinto com quem me ama, é o melhor a se fazer "tô chorando agora, porque eu tô muito cansada e ainda tenho a prova final, que vai ser oral, então eu também tô muito nervosa". "Minha filha, liga o foda-se!". "não consigo, mas é só porque eu tô muito cansada, mas amanhã vai ser melhor.", eu quis dar o assunto por encerrado, mas ela não deixou.

Minha mãe me ligou enquanto eu estava aos prantos e, meia hora de conversa depois, eu já estava falando do pão de queijo caríssimo, da parada que o ônibus que vem para o Rio faz, em Leopoldina e estávamos rindo. O que eu quero dizer com tudo isso?

Bom, não esconda o que você sente de quem você sabe que te ama. Acredite que existe alguém que vai poder ajudar, além dos tratamentos especializados. Nós precisamos de amor mais do que admitimos e precisamos dizer isso. Procure ajuda e aconchego em quem você ama e entende a sua dor. Falar que está tudo bem só para não preocupar o outro, não vai te ajudar e nem ajudar o outro, caso o seu estado piore por falta desse carinho que só pessoas específicas podem dar. Lute por você, mas não lute sozinho. Lute com os amores da sua vida, além de ajuda especializada.

Obrigada mãe, obrigada prima-irmã, obrigada marido, por me amarem e tentarem me compreender. tudo o que vocês fazem por mim, não há palavras suficientes para agradecer. Amo vocês.

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